A saudade passeia-se diante de mim


Já faz algum tempo
Que a saudade se deita comigo
E não me deixa dormir.
Anda a espicaçar-me
E a desfilar diante dos meus olhos,
Que me pedem para não a ver.
Passeia-se diante mim e sem pressa,
Querendo a reaproximação.
Apodera-se de mim
De tal modo, que até, desinquieta o meu ser.
Roça-se todas as noites nos meus sonhos,
E veste-se de gala para me impressionar.
Não sabe a dor que provoca,
Ou não quer saber…
Não consigo a … esquecer.
Sem dar por isso,
A toda a hora penso nela,
Fico sem força desesperada
E a imaginar como seria…
E a dor volta a gritar comigo,
Desnorteada e sem ajuda,
Bate no fundo…outra vez,
Tão bem, sabe ela esse caminho…
Se o seu olhar não regasse,
Todos os dias o meu ego,
Talvez a raiz dos meus olhos,
Já tivesse apodrecido por tanto lacrimejar
E ela… morresse de vez.
Mas não,
A parva da saudade continua-me a hipnotizar!
Aqueles olhos entram-me na cabeça
E sussurram-me desejos,
Que há muito estão em banho-maria.
Mas uma coisa …a minha razão sabe!
Tem que resistir e não se entregar,
Tem que fazer a seu jogo
E com classe a ganhar,
Mostrar-se indiferente,
E deixar de ser vírgula ou reticências.
Fazer xeque-mate na hora certa
E colocar de vez um ponto final…na maldita saudade!
E passar há jogada seguinte …sendo agora ela a saudade… dele!

Telma Estêvão

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